Portugal – Rendas caras dão novo impulso à compra de casa

André e Leonor nunca pensaram em comprar casa mas depois de ano e meio a viverem num T2 arrendado no centro de Lisboa mudaram de opinião. “Decidimos que queremos ter uma casa nossa, que vamos comprar casa própria. Acabámos de assinar o contrato de promessa de compra e venda”, afirmaram ao Dinheiro Vivo. Os rendimentos são os mesmos que tinham quando começaram a viver juntos, mas a decisão de comprar o primeiro imóvel acabou por surgir quando perceberam que “é possível pagar o mesmo ou menos ao banco do que se paga a um senhorio”. Em menos de um mês escolheram o imóvel – que foram visitar “pelo menos três vezes” -, contactaram o banco onde já tinham conta e encontraram uma modalidade que torna possível o plano: em vez de pagarem 750 euros pelo T2 arrendado na Graça, vão pagar uma prestação mensal ao banco de cerca de 600 euros pelo T3 de eleição. Ainda que saibam que têm pela frente vários impostos de aquisição, taxas legais sobre o valor da propriedade, custos com registos e custas notariais, e obrigações perpétuas, como o IMI, não têm dúvidas: “Os custos iniciais são suportáveis, além de que estamos a pagar por uma coisa que um dia acabará por ser nossa. Quando pagamos uma renda não estamos a preparar o futuro”, diz o casal com menos de 30 anos.

Como eles há outros portugueses a regressar ao ideal da compra de casa. Em 2014, venderam-se 230 casas de habitação por dia. E a expectativa da APEMIP (Associação Portuguesa de Empresas de Imobiliário) é que o aumento nas transações seja de 25% este ano. Mas os números “estão muito relacionados com as ações políticas e os incentivos que surjam para o mercado”, nomeadamente para o do arrendamento, diz o presidente da Associação, Luís Lima.

No fundo, “ninguém sonha em ser arrendatário, ainda que acabemos todos por ser arrendatários perante os bancos”, afirma o presidente da APEMIP, apontando o dedo à falta de eficácia do mercado das rendas. “Não se fez o que se devia ter feito para potenciar o arrendamento, algo a nível fiscal que incentive a colocação de casas no mercado”, diz, admitindo que “o Governo tem de ser mais ousado e evitar uma dupla tributação de quem arrenda – pela posse e pelos rendimentos”, ou “as rendas serão sempre superiores ao que as pessoas estão disponíveis para pagar”.
Fonte: DV

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